David Clark é consultor na área de tecnologia,
inteligência artificial e análise de riscos – sua empresa presta serviços para
os governos dos EUA e do Reino Unido. Clark serviu por muitos anos como membro
do Conselho da Editora britânica Evangelical Press e faz parte do conselho
editorial do ministério Christian Hymns.
Parte 1 – Uma Visão Panorâmica
Não é exagero sugerir que a Internet tem se tornado uma parte indispensável
da vida moderna dos negócios. Ela não somente é uma ferramenta de negócios, como
também alcança muitos lares tanto no Reino Unido quanto ao redor do mundo. Na
Europa, 390 milhões de pessoas têm acesso à Internet em suas casas –
aproximadamente metade da população.[i] No Reino
Unido, esse número sobe para 71% das moradias, e nos Estados Unidos, para 74%.
Hoje em dia, estima-se que um bilhão de pessoas possuam acesso à Internet.[ii] Em outras palavras, algo em torno de um
sexto da população mundial, potencialmente, possui acesso a qualquer coisa que
possa ser postada numa página da Web.
Qual é o problema?
Alguém poderia perguntar: Então, qual é o problema?
Em março de 2008, a Dra. Tanya Byron, uma psicóloga inglesa, publicou o
resultado de um estudo autorizado pelo governo (O Relatório de Byron), que tinha
o objetivo de "fazer uma resenha sobre as evidências dos riscos que a exposição
a materiais prejudiciais ou inapropriados na Internet pode causar à segurança e
ao bem-estar das crianças... recomendar melhorias ou ações adicionais.[iii] O relatório concluiu que não se pode
garantir que "a Internet seja completamente segura".[iv]
Em 2006, havia mais de quatro milhões de sites de pornografia, sendo que 100
mil deles ofereciam pornografia infantil ilegal.[v] A
popular revista americana Christianity Today sugere que 70% dos homens
americanos, com idade entre 18 e 34 anos vêem pornografia na Internet uma vez
por mês. [vi] O mesmo artigo continua explicando que
as igrejas não estão imunes ao problema. "Um líder evangélico era cético sobre
as descobertas das pesquisas de que 50% dos homens cristãos haviam visto
pornografia havia pouco tempo. Por essa razão, ele fez um levantamento em sua
própria congregação. Descobriu que 60% dos homens haviam visto pornografia ao
longo do ano anterior, e 25% deles, nos 30 dias anteriores".
A revista TIME, num artigo recente, intitulado Adultery
2.0 (Adultério 2.0) explica que agora há websites que são desenvolvidos com
aplicativos (apps) para iPhone e Blackberry que se concentram em ajudar os
adúlteros cautelosos a não deixarem rastros nos computadores do trabalho ou de
casa". "Nunca foi tão fácil enganar" é o apelo do site pessoal AshleyMadison.com, desenvolvido para facilitar casos
extraconjugais.[vii]
A lista continua, com repetidas advertências para que tenhamos cautela com
crimes na Internet e identifiquemos golpistas e pedófilos, entre outras coisas.
É de se admirar que a maioria dos pais questionem se as redes de relacionamentos
com as quais seus filhos gastam muito tempo são seguras? Será que eles deveriam
deixar seus filhos usar celulares, dadas as recentes advertências da polícia em
relação à prática do envio de "SMSs sexuais", por meio dos quais os jovens
enviam fotos explicitamente indecentes uns aos outros?[viii]
O que devemos fazer? Há uma resposta Bíblica para isso? De que forma os pais
podem enfrentar esses problemas quando há tamanha discrepância entre a geração
jovem e esperta da Internet e a maioria dos pais?
Este artigo apresenta uma visão panorâmica desses assuntos, com artigos
subseqüentes que explorarão áreas-chave como redes de relacionamentos, vício em
Internet, relacionamentos virtuais, jogos de azar, pornografia, uso de blogs,
etc. Essas coisas estão moldando as vidas de muitos ao nosso redor, e precisamos
saber tanto o que está acontecendo quanto como lidar com essas questões em nossa
família, igreja e cultura.
Há algo de bom nisso?
Claro que há! A Internet tem criado inúmeras oportunidades de se testemunhar
para as pessoas ao redor do mundo. Conforme notamos anteriormente, agora podemos
levar o evangelho de Jesus Cristo a milhões de pessoas, sem sair de nosso
escritório ou de nossa casa! Numa conferência recente, Mark Driscoll, pastor da
igreja Mars Hill, em Seatle, nos Estados Unidos, habilmente destacou isso ao
comentar que "a Internet tem aberto uma oportunidade completamente nova para
comunicar o evangelho às nações da terra".[ix] Mars Hill é o exemplo de uma igreja que
busca usar essas novas oportunidades de forma ilimitada. Ela dispõe de um
aplicativo próprio para iPhone, por meio do qual se pode ter acesso à toda sua
biblioteca virtual, sermões sobre vários tópicos e outras coisas.
Hinos, múltiplas versões da Bíblia e artigos sobre todos os tópicos
teológicos que se possam conceber estão todos disponíveis na Internet, por meio
de um clique num botão. Qualquer um pode sentar-se em frente a um computador e
descobrir informações sobre quase toda igreja ou organização cristã que há no
mundo. Os missionários e as organizações para-eclesiáticas têm conseguido
reduzir drasticamente os seus custos, utilizando e-mail e websites para
transmitir informações aos seus mantenedores. Um website evangélico conservador,
o sermonaudio.com, dispõe
de centenas de sermões que vão desde MacArthur até Spurgeon (leia isso com
entonação americana!), e centenas deles são acrescentados a cada semana. Há
blogs, fóruns de discussão, vídeos e cursos cristãos online. E a lista continua.
Podemos nos conectar a outros cristãos pelo twiter, criar eventos no Facebook ou
falar "cara-a-cara" com um amigo ou um missionário de qualquer parte do mundo,
usando uma câmera de vídeo. Em seu cerne, a Internet é uma ferramenta de
comunicação, e as boas novas dizem respeito a comunicar às pessoas as verdades
maravilhosas de Jesus Cristo.
O que é a Internet?
Antes de irmos muito além, precisamos desmistificar a Internet. Em seu âmago,
ela é bem simples, embora existam muitas tecnologias complexas em sua
manutenção. Pense no sistema postal. Você escreve uma carta, ou pior, recebe uma
multa! Alguém coloca um pedaço de papel num envelope, põe o endereço e o sistema
postal a entrega em sua caixa de correios. Agora imagine, por exemplo, que você
deseje comprar uma camiseta nova de uma empresa localizada em algum lugar do
país. Você poderia escrever-lhes uma carta com informações sobre o seu tamanho e
suas preferências. Eles poderiam lhe responder, enviando uma foto de uma de suas
camisetas. Talvez, quando você visse a foto, você decidisse que não gostou da
aparência daquela camiseta específica e escrevesse novamente para eles pedindo
um outro tipo de camiseta. Então, eles lhe mandariam uma foto de uma camiseta
diferente, e assim por diante. Certamente, utilizar o sistema postal dessa
maneira seria extremamente lento e ineficiente. É por essa razão que muitas
empresas simplesmente enviam seus catálogos com todos os seus produtos. No
entanto, esse exemplo ilustra como a Internet funciona. Sem entrar nos detalhes
técnicos, basta dizer que cada computador tem o seu endereço individual, assim
como no sistema postal. A Internet age como uma versão eletrônica do serviço
postal, enviando informações, uma página a cada vez. Só que muito mais rápido!
As páginas ou outras informações como arquivos de áudio e vídeo são armazenadas
num servidor e distribuídas conforme a solicitação de cada usuário –
normalmente, navegamos pelas páginas por meio de parâmetros de busca ou
conexões, nos quais podemos clicar, na tela do computador, que são chamados de
hyperlinks. É lógico que o melhor lugar para se obter informações sobre a
Internet é... na Internet!
Foram a rapidez e a facilidade de uso que possibilitaram a existência dessa
rede tão difundida de computadores, empresas e pessoas interconectadas.
Como isso aconteceu?
Em 2 de setembro de 2009, a Internet completou 40 anos.[x] No entanto, conforme demonstra
claramente o gráfico abaixo, é provável que a maioria das pessoas tenham
começado a utilizá-la entre 5 e 10 atrás, não mais do que isso.[xi] A transição do papel e do telefone para
as comunicações instantâneas online, e-mails, pesquisas na Web e redes de
relacionamento foi imperceptível; foi uma transição gradual.[xii]Entretanto, poderíamos argumentar que o
impacto dessa mudança tem sido provavelmente tão significativo quanto as redes
de estradas construídas pelos romanos, a imprensa escrita, o aparecimento do
rádio, da televisão, do carro e das viagens aéreas. A questão não é a respeito
de quanto tempo podemos gastar em frente do computador em oposição ao tempo que
gastamos assistindo televisão. A Internet afeta a maneira como nos relacionamos
uns com os outros, toda a infra-estrutura comercial, a viabilidade das
informações, a forma como aprendemos e a forma como recebemos as notícias, entre
outros impactos. E o mais importante é que não se pode voltar atrás. O que foi
feito, foi feito...
Usuários da Internet por habitante de
1997-2007
Como os cristãos devem reagir?
É claro que, na Bíblia, não há menção alguma sobre a Internet. Mas a Bíblia
não é um livro obsoleto. A palavra de Deus não perdeu de repente a sua
relevância. Em vez disso, a Bíblia não somente fornece mandamentos claros, como
também princípios que são invioláveis; orientações para todas as vidas, em todos
os tempos. A Bíblia fala sobre domínio próprio (2 Pe 1.6), sobre nossa fraqueza
e facilidade com que caímos no pecado (Tg 1.14), sobre remir o tempo (Ef
5.15-16) e sobre aproveitarmos as oportunidades ao máximo (Gl 6.10). Nesta série
de artigos, tencionamos buscar aplicações para esses princípios na forma como
nos aproximamos da Internet e a utilizamos e observar os perigos, bem como as
oportunidades que ela nos oferece. No próximo artigo, examinaremos o modo como
usamos a Internet para nos comunicar. Abrangeremos desde e-mails até os SMSs
sexuais, desde as videoconferências às mensagens instantâneas, e concluiremos
com conselhos positivos, úteis e práticos.
Um Conselho Prático
A Internet não somente pode viciar, como muitas outras atividades o fazem,
mas também pode trazer um risco em particular, o risco de estilhaçar a unidade
familiar, principalmente quando há muitos computadores numa casa. Cada membro da
família gasta tempo individualmente com seus próprios amigos online, em salas de
bate-papo, enviando e-mails ou postando mensagens nas redes de relacionamentos.
Para evitar que isso aconteça, por que não tentar separar uma noite na semana
como a "noite da família", em que todos os membros da família estejam envolvidos
numa atividade juntos. As atividades podem incluir, por exemplo, um jogo, uma
caminhada ou milhares de outras coisas que a família possa fazer junta. No
entanto, a presença de todos é estritamente obrigatória!
[i] http://www.internetworldstats.com/stats.htm
[ii] http://news.yahoo.com/s/ap/20090831/ap_on_bi_ge/us_tec_internet_at40
[iii] http://www.publications.parliament.uk/pa/cm200708/cmhansrd/cm080327/wmstext/80327m0001.htm
[iv] http://news.bbc.co.uk/1/hi/technology/7316700.stm
[v] http://internet-filter-review.toptenreviews.com/internet-pornography-statistics.html#anchor5
[vi] http://www.christianitytoday.com/ct/2008/march/20.7.html
[vii] Revista Time, 20 de julho de 2009
[viii] http://technology.timesonline.co.uk/tol/news/tech_and_web/article6738532.ece
[ix] Esse comentário foi feito em 8 de novembro
durante a conferência New Frontiers, em Brighton, para a qual Driscoll havia
sido convidado.
[x] Veja http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/n/a/2009/08/30/financial/f102244D87.DTL
[xi] Tenho trabalhado com a Internet e as
tecnologias associadas a ela por muito mais tempo do que isso, sendo que meu
primeiro contato com a Internet deu-se a 30 atrás, enquanto estudava Ciência da
Computação na Universidade – naquela época, isso era um campo novo.
[xii] Fonte: ITU
______________________
Traduzido por: Waléria Coicev
Copyright© David
Clark.
Copyright© Editora FIEL 2010.
Traduzido do original em inglês: What every parent should know about the Internet – Overview, part
1. Por David Clark. Extraído do blog:http://parentsandtheinternet.blogspot.com/.
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